Ansiedade na era digital: como as redes sociais afetam sua saúde mental
Vivemos em uma era em que estar conectado se tornou quase uma exigência. As redes sociais, que inicialmente surgiram como ferramentas de comunicação e entretenimento, passaram a ocupar um lugar central na vida cotidiana, influenciando a forma como nos percebemos, nos relacionamos e construímos nossa identidade. No entanto, essa hiperconectividade tem cobrado um preço elevado à saúde mental, e os consultórios de psicologia têm recebido cada vez mais pessoas com queixas diretamente relacionadas ao uso excessivo de telas e plataformas digitais.
Os sintomas são variados: insônia provocada pelo uso do celular antes de dormir, comparação constante com a vida aparentemente perfeita dos outros, medo de estar "ficando para trás" (o chamado FOMO — Fear of Missing Out), necessidade compulsiva de verificar notificações, irritabilidade quando desconectado e uma sensação difusa de vazio mesmo após horas navegando em conteúdos. Esses sinais, quando persistentes, podem configurar ou agravar quadros de ansiedade, depressão e baixa autoestima.
Sob o olhar da psicanálise, o que se observa é que as redes sociais mobilizam mecanismos psíquicos profundos. A busca incessante por curtidas e validação remete ao que Freud descreveu como a necessidade de reconhecimento pelo outro, algo que se estrutura desde as primeiras relações da infância. O "like" funciona como um substituto frágil e efêmero do olhar de aprovação que todo ser humano busca, gerando um ciclo de dependência que nunca se satisfaz plenamente.
Além disso, as redes sociais promovem uma cultura do "eu ideal" — um conceito psicanalítico que se refere à imagem idealizada que o sujeito constrói de si mesmo. Ao ser constantemente confrontado com versões editadas e filtradas da realidade alheia, o indivíduo tende a se sentir inadequado, reforçando sentimentos de inferioridade e insuficiência. Esse fenômeno é particularmente intenso entre adolescentes e jovens adultos, que estão em pleno processo de construção identitária.
A psicanálise nos ensina que a ansiedade, em sua essência, é um sinal de que algo no psiquismo pede atenção. Ela não surge ao acaso. No contexto digital, a ansiedade pode estar sinalizando uma dificuldade em lidar com a solidão, o silêncio interno ou a frustração de desejos não reconhecidos. O celular, muitas vezes, funciona como um objeto que tampona essas angústias, impedindo que o sujeito entre em contato consigo mesmo.
O trabalho terapêutico com pacientes que sofrem com a ansiedade digital envolve, primeiramente, a escuta atenta de como as redes sociais se inserem na vida daquela pessoa específica. Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de compreender qual função psíquica ela está cumprindo. Para alguns, as redes preenchem um vazio afetivo; para outros, alimentam uma fantasia de controle ou perfeição; para outros ainda, funcionam como fuga de conflitos que precisam ser enfrentados.
Através da psicanálise, o paciente pode desenvolver uma relação mais consciente e menos compulsiva com o mundo digital, reconhecendo seus gatilhos emocionais e fortalecendo sua capacidade de estar presente na vida real — com suas imperfeições, silêncios e belezas genuínas. Se você sente que as redes sociais estão gerando mais angústia do que prazer, esse pode ser um importante sinal de que é hora de olhar para dentro.
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