TDAH em adultos: por que tantas pessoas estão sendo diagnosticadas agora?
Nos últimos anos, houve um aumento expressivo no número de adultos que buscam avaliação para o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Muitos desses pacientes passaram a infância e a adolescência sem diagnóstico, carregando consigo rótulos como "preguiçoso", "desligado", "inteligente mas não se esforça" ou "tem potencial mas não rende". Essas marcas, construídas ao longo dos anos, deixam cicatrizes profundas na autoestima e na forma como a pessoa se percebe no mundo.
Mas por que tantos adultos estão descobrindo o TDAH somente agora? Há algunsfatores que explicam esse fenômeno. Primeiro, o avanço do conhecimento científico e a maior divulgação sobre o transtorno permitiram que muitas pessoas se identificassem com os sintomas ao ler relatos ou assistir a conteúdos sobre o tema. Segundo, as demandas da vida adulta — especialmente no contexto profissional — expõem dificuldades executivas que, na infância, podiam ser compensadas por estruturas externas como a rotina escolar ou o suporte familiar. Terceiro, a pandemia de COVID-19 intensificou essas dificuldades, com o home office exigindo níveis de autogestão e organização que são justamente os pontos mais desafiadores para quem tem TDAH.
O TDAH no adulto se manifesta de formas diversas: dificuldade crônica de organização, procrastinação persistente, esquecimentos frequentes, impulsividade nas decisões, dificuldade em manter o foco em tarefas monótonas, sensação de "cabeça cheia" e uma inquietação interna que nem sempre é visível para os outros. Muitos adultos com TDAH desenvolvem quadros de ansiedade e depressão como consequência das frustrações acumuladas ao longo da vida.
A avaliação neuropsicológica é uma ferramenta fundamental nesse processo. Através de testes padronizados e validados cientificamente, é possível mapear o funcionamento cognitivo do paciente — incluindo atenção, memória operacional, velocidade de processamento e funções executivas — e diferenciá-lo de outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes, como ansiedade generalizada, depressão ou até mesmo questões de personalidade. O laudo neuropsicológico oferece um retrato detalhado do perfil cognitivo, orientando o tratamento de forma personalizada.
Para além do diagnóstico, o acompanhamento psicoterapêutico é essencial. No trabalho clínico, ajudamos o paciente a compreender como o TDAH moldou sua história de vida, a desenvolver estratégias práticas de manejo e a ressignificar experiências que, por anos, foram fonte de culpa e frustração. A psicoterapia também trabalha as questões emocionais associadas — a autoestima abalada, a sensação de inadequação e o medo do julgamento — permitindo que o adulto com TDAH se reconheça com mais compaixão e clareza.
Se você se identifica com essas dificuldades e sente que "algo não funciona como deveria", saiba que buscar uma avaliação especializada pode ser o primeiro passo para uma vida com mais compreensão, estratégias e qualidade. O diagnóstico tardio não é uma sentença — é uma oportunidade de finalmente se entender.
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